Mobilidade

Quais foram as estratégias de mobilidade urbana mais bem sucedidas durante o COVID-19?

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Quais foram as estratégias de mobilidade urbana mais bem sucedidas durante o COVID-19?

Passou cerca de um ano desde o início da primeira vaga na Europa do COVID-19. O súbito aparecimento da pandemia foi certamente inesperado e levou a medidas sem precedentes. Assim, quando analisamos o sistema de mobilidade, o que mudou realmente? Como é que os governos locais em toda a Europa reagiram ao novo panorama no sector da mobilidade e que medidas se manterão após a pandemia dentro das nossas sociedades?
A este propósito foi realizado um Estudo – Estratégias de Mobilidade Urbana durante a COVID-19, (Liderado pela BABLE em parceria com EIT Urban Mobility, CARNET, Centro Tecnológico de Automoción de Galicia, Technical University of Denmark, and Universitat Politecnica de Catalunya, e Miljöstrategi AB, e 14 cidades) em parceria com EIT Urban Mobility, através de um inquérito em 16 cidades europeias para compreender e analisar estratégias de mobilidade durante a pandemia da COVID-19.

Que mudanças trouxe o COVID-19 para o setor da mobilidade urbana?

  • A recuperação temporária do espaço rodoviário (para alargar os passeios ou dar mais espaço para as esplanadas) pode levar a um redesenho permanente do espaço público e melhorar a circulação pedonal.
  • O desenvolvimento da rede de bicicletas como resposta à diminuição da capacidade dos transportes públicos pode consolidar o uso da bicicleta como meio de transporte.
  • O aumento do comércio eletrónico e das entregas ao domicílio durante a pandemia pode impulsionar as cidades a implementar acções para melhorar o transporte urbano de mercadorias.
  • A gestão do fator tempo surgiu como um elemento chave para lidar com a COVID-19 e aponta para o interesse de regulamentar o tempo de ocupação de alguns espaços públicos entre diferentes utilizadores.
  • A intensa utilização de tecnologias digitais para monitorizar a pandemia pode fomentar a utilização de dados de mobilidade.
  • A aceleração de soluções tecnológicas, como a condução autónoma, o aumento da multifuncionalidade, vão continuar a merecer destaque.

A inovação nas cidades como facilitador da transformação
Quando falamos de mobilidade e inovação, criar confiança e construir uma visão comum é fundamental para encontrar as melhores soluções. Assim, o envolvimento de múltiplos intervenientes (externos e internos) é fundamental para o sucesso da inovação no contexto urbano. Outros fatores são igualmente considerados chave:

  • Os recursos disponíveis são outro ponto importante para melhorar a mobilidade urbana, ou qualquer outro tipo de inovação urbana. Por um lado, os recursos humanos e a capacidade geral da administração e gestão da cidade
  • O financiamento é também uma questão premente.

Em tempos de crise, estes dois recursos tendem a ser escassos e afetam a forma como a cidade irá gerir o seu futuro. O presente estudo revela que uma das melhores formas para enfrentar os desafios de financiamento é utilizar as parcerias público-privadas como mecanismo de desenvolvimento.

Olhos postos no futuro
As medidas adotadas durante a pandemia impactaram a forma como são “moldadas” as cidades. Afetaram o mercado imobiliário, a atividade económica e os fluxos de mobilidade.
A mobilidade activa, como a utilização da bicicleta e o andar a pé, são claramente vencedores devido à pandemia. No entanto, a posse do veículo particular aumentou e os transportes públicos sofreram um duro golpe. Como resultado, as cidades têm resistido, estão a reabilitar o espaço urbano e a limitar o tráfego nos seus centros. Finalmente, a pandemia pode provocar mudanças futuras através da interacção entre transportes, habitação e local de trabalho, que têm de ser cuidadosamente calculados em futuras decisões estratégicas.
Pode consultar o relatório completo aqui

Artigo em parceria com a BABLE
Adaptado de What were the most successful urban mobility strategies during COVID-19?” em BABLE Smart Cityzine.

Autor: Miguel Mósca. Parceria com BABLE Smart Cities”